Prêmio Shell e incentivo a cultura

O patrocínio da Shell ao teatro brasileiro começou no ano de 1983. Segundo muitos artistas, esse apoio foi essencial para que o teatro permanecesse no país durante o período de recessão cultural. Mas somente no ano de 1988 é que foi criado o Prêmio Shell de Teatro.
No dia 21 de julho a Shell divulgou a primeira lista de indicados ao 21º Prêmio Shell de Teatro, do Rio de Janeiro (embora a Premiação aconteça também em São Paulo, focaremos apenas no do Rio de Janeiro neste post), para as peças que estrearam no primeiro semestre de 2008.
A montagem brasileira do musical “A Noviça Rebelde” (“The Sound of Music”), protaginizada por Kiara Sasso (Maria) e Herson Capri (Capitão Von Trapp),recebeu o maior número de indicações, concorrendo assim, em quarto categorias. A peça disputa o troféu de melhor ator (Fernando Eiras), e também concorre a Cenário (Rogério Falcão), Figurino (Rita Murtinho) e Categoria Especial, pela produção de Aniela Jordan, Beatriz Secchin Braga e Monica Athayde Lopes. Cláudio Botelho e Charles Möeller também foram indicados a Categoria Especial “pela expressiva contribuição dada ao gênero musical no cenário carioca”.
Segundo o site da Shell (www.shell.com.br/teatro), “os vencedores de cada categoria receberão uma escultura em metal do artista plástico Domenico Calabroni, com a forma de uma concha dourada, inspirada na logomarca da Shell, e uma premiação individual de R$ 8 mil (oito mil reais). Criado em 1989, o Prêmio Shell de Teatro é ponto de referência nos palcos brasileiros. Ele é oferecido aos maiores destaques do ano, no Rio de Janeiro e em São Paulo, separadamente, em nove categorias: Autor, Diretor, Ator, Atriz, Cenário, Iluminação, Música, Figurino e Categoria Especial.”
A empresa teve uma mudança na política de investimentos sociais em 1998, e após a mudança a empresa continuou investido na área cultural por meio do Prêmio Shell de Teatro e do Prêmio Shell de Música. Atualmente a empresa contribui com a sociedade, por meio do incentivo a cultura através dos Prêmios e de projetos comunitários, voluntariado, atuação externa no meio ambiente, segurança viária e iniciativa jovem.
Até o ano de 1998 foram mais de 100 espetáculos patrocinados nas mais diversas cidades do Brasil.
Entretanto se a intenção seria investir na cultura, falando especificamente dos teatros, eu me pergunto por que muitas peças são rotuladas de “peças de elite“. É o que vem acontecendo com o mais indicado ao Prêmio, “A Noviça Rebelde”. Sessões lotadas todos os dias e filas gigantescas para que se possa conseguir um ingresso para a peça, infelizmente não são o bastante para mostrar que a população brasileira se interessa por adquirir esse tipo de cultura. Embora existam realmente as filas gigantescas e sessões lotadas, isso só acontece por causa das pessoas com uma certa condição financeira. Infelizmente o número de pessoas de classe mais baixa que têm acesso a esse tipo de cultura, é mínimo. Acredito que antes de investir em premiação, ou qualquer outro tipo de coisa nesse gênero, deveríamos fazer com que o brasileiro criasse o costume de ir ao teatro, e o mais importante, que lhe fossem dadas condições para que não somente a rotulada “elite”, mas todas as classes pudessem desfrutar dessa arte.

Postado por,

Camila T. Carvalho

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