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Prêmio Shell e incentivo a cultura

agosto 25, 2008

O patrocínio da Shell ao teatro brasileiro começou no ano de 1983. Segundo muitos artistas, esse apoio foi essencial para que o teatro permanecesse no país durante o período de recessão cultural. Mas somente no ano de 1988 é que foi criado o Prêmio Shell de Teatro.
No dia 21 de julho a Shell divulgou a primeira lista de indicados ao 21º Prêmio Shell de Teatro, do Rio de Janeiro (embora a Premiação aconteça também em São Paulo, focaremos apenas no do Rio de Janeiro neste post), para as peças que estrearam no primeiro semestre de 2008.
A montagem brasileira do musical “A Noviça Rebelde” (“The Sound of Music”), protaginizada por Kiara Sasso (Maria) e Herson Capri (Capitão Von Trapp),recebeu o maior número de indicações, concorrendo assim, em quarto categorias. A peça disputa o troféu de melhor ator (Fernando Eiras), e também concorre a Cenário (Rogério Falcão), Figurino (Rita Murtinho) e Categoria Especial, pela produção de Aniela Jordan, Beatriz Secchin Braga e Monica Athayde Lopes. Cláudio Botelho e Charles Möeller também foram indicados a Categoria Especial “pela expressiva contribuição dada ao gênero musical no cenário carioca”.
Segundo o site da Shell (www.shell.com.br/teatro), “os vencedores de cada categoria receberão uma escultura em metal do artista plástico Domenico Calabroni, com a forma de uma concha dourada, inspirada na logomarca da Shell, e uma premiação individual de R$ 8 mil (oito mil reais). Criado em 1989, o Prêmio Shell de Teatro é ponto de referência nos palcos brasileiros. Ele é oferecido aos maiores destaques do ano, no Rio de Janeiro e em São Paulo, separadamente, em nove categorias: Autor, Diretor, Ator, Atriz, Cenário, Iluminação, Música, Figurino e Categoria Especial.”
A empresa teve uma mudança na política de investimentos sociais em 1998, e após a mudança a empresa continuou investido na área cultural por meio do Prêmio Shell de Teatro e do Prêmio Shell de Música. Atualmente a empresa contribui com a sociedade, por meio do incentivo a cultura através dos Prêmios e de projetos comunitários, voluntariado, atuação externa no meio ambiente, segurança viária e iniciativa jovem.
Até o ano de 1998 foram mais de 100 espetáculos patrocinados nas mais diversas cidades do Brasil.
Entretanto se a intenção seria investir na cultura, falando especificamente dos teatros, eu me pergunto por que muitas peças são rotuladas de “peças de elite“. É o que vem acontecendo com o mais indicado ao Prêmio, “A Noviça Rebelde”. Sessões lotadas todos os dias e filas gigantescas para que se possa conseguir um ingresso para a peça, infelizmente não são o bastante para mostrar que a população brasileira se interessa por adquirir esse tipo de cultura. Embora existam realmente as filas gigantescas e sessões lotadas, isso só acontece por causa das pessoas com uma certa condição financeira. Infelizmente o número de pessoas de classe mais baixa que têm acesso a esse tipo de cultura, é mínimo. Acredito que antes de investir em premiação, ou qualquer outro tipo de coisa nesse gênero, deveríamos fazer com que o brasileiro criasse o costume de ir ao teatro, e o mais importante, que lhe fossem dadas condições para que não somente a rotulada “elite”, mas todas as classes pudessem desfrutar dessa arte.

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Camila T. Carvalho

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Musical Theatre e Flusser

agosto 15, 2008

Em seu livro “Filosofia da Caixa Preta – Ensaios para uma futura filosofia da fotografia”, Vilém Flusser baseia-se no que ele chama de “conceitos-chave” (imagem, aparelho, programa e informação), para definir fotografia como: “imagem produzida e distribuída por aparelhos segundo um programa, a fim de informar receptores.“
Se elevar-mos esse conceito a um outro nível, acredito que possamos não apenas definir fotografia à partir dele, mas também possamos definir imagem televisiva, ou cinematográfica. Afinal, nesse caso também encontramos os conceitos-chave citados por Flusser. E é exatamente sobre esses conceitos e essa definição aplicados a essa outra perspectiva que pretendo discorrer.
Embora Flusser discorra sobre sua “filosofia da fotografia“, que não seria nada mais do que “crítica do funcionalismo“, ou em outras palavras, uma crítica ao modo de pensar do ser humano; modo esse, que seria como “pensam” os computadores, e embora ele chegue a conclusão de que as pessoas que operam as câmeras, de certo modo não são livres, e sim destinadas a serem controladas pela máquina, assim não existindo uma liberdade, acredito que a imagem televisiva e cinematográfica não deve ser encarada como algo totalmente negativo, acredito que esse assunto tenha dois lados que devem ser levados em consideração.
O primeiro deles seria o fato de que é justamente por causa dessas máquinas, que conseguimos fazer com que a massa tenha acesso a certas informações e certa cultura que sem essa tecnologia, talvez ela não tivesse acesso. É o que acontece com os musicais. Todos temos que concordar que se não houvessem filmes, ou então dvds de musicais, muitas pessoas iriam desconhecer totalmente essa arte, pois, se esses musicais fossem apenas exibidos na Broadway, ou mesmo apenas em suas montagens brasileiras, muitos não teriam acesso. Isso torna-se visível se perguntar-mos à uma pessoa se ela já assistiu “Grease“, “A Noviça Rebelde“ ou “HairSpray“, por exemplo. Se a pessoa já tiver assistido a probabilidade de ela ter assistido o filme é muito maior do que ela ter ido até o teatro assistir algum desses muisicais. Isso acontece por muitos motivos como falta de recursos para ir ao teatro, ou na maioria das vezes comodidade. É mais fácil para uma pessoa alugar um filme desses e assistir no conforto de sua casa, aonde ela pode pausar a hora que quiser, assistir a hora que quiser, etc.
Entretanto, um lado bem diferente desse também deve ser levado em consideração. Pensemos agora que esse fácil acesso aos musicais, provocado pelas máquinas e seus “operadores” leve cada vez menos pessoas a frequentar os teatros. Hoje em dia o número de pessoas que saem de casa para ir ao teatro é muito menor do que antigamente. E acredito que isso acontece devido ao fato dessa facilidade de acesso a esses filmes. Podemos então parar para pensar um pouco em todo o trabalho envolvido para desenvolver um musical, por exemplo. Quantos profissionais não estão envolvidos no projeto, quantas pessoas não dedicaram suas vidas à estudar essa arte, etc. Para que depois de certo tempo um filme sobre esse mesmo musical seja lançado e então as pessoas parem de frequentar os teatros, porque pensam “ser a mesma coisa“.
Enfim, eu não sou contra os filmes e dvds de musicais. Eu mesma tenho uma infinidade deles na minha casa; acho apenas que devemos pensar nos dois lados da moeda antes de definir, ou julgar alguma coisa. Dessa maneira, são esses os dois lados que eu vejo no que Flusser quis dizer.

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Camila T. Carvalho